quinta-feira, 5 de maio de 2011

cela obscura

Tumblr_lkjy7pnnz11qi2a79o1_500_largePor vezes olho para o céu através destas grades de ferro, que me impedem de fazer bastantes coisas.
Estou cada vez mais presioneira destas correntes, e cada vez mais calada por estas amarras. Correntes que me proibem de mexer, não conseguindo sequer tentar soltar, e amarras que me impedem de gritar.
Arrancaram-me as minhas asas brancas, fortes e suaves, naquela noite tão obscura, sem que eu desse por isso, tirando-me todas as minhas energias, agora nas costas apenas tenho duas feridas bem fundas e sangrentas.

De um ser tão belo, tão simples e bondoso, acabaram por transformar-me num ser tão feio, tão complicado e tão bruto, que nem eu propria me reconhecera naquele sentimento tão negro.
Já a dias que não como, cada vez estou mais fraca, mesmo quando me vêm visitar a esta cela tão repugnante me dizendo que continuo igual, forte e suave como sempre fui, eu já nao acredito nisso, em nenhuma palavra que me possam dizer, pois parece que tudo é mentira neste mundo tão doentio, taõ falso e estupido.
Já não sei o que é ser livre, ou mesmo o que é voar por estes céus azuis que vejo a partir destas grades sujas, já não sei o que é nada da vida lá fora, sou presioneira de um ser tão bruto, tão horrivel.
Sinto-me sozinha, sem nada dentro ou mesmo fora de mim, já nao me consigo sentir eu, muito menos sentir-me viva. Sem aquelas asas brancas como a neve eu não sou nada, nem ninguem.
Night_is_coming__request__by_dream_traveler_largeNao sei a quanto tempo estou aqui fechada, pois adormeci de uma maneira suave num local de guerras, e acordei de uma maneira bruta neste local tão calmo mas falso.
Queria conseguir fujir daqui, mesmo estando presa a estas coisas de ferro e mesmo calada por estas amarras, mas esta torre é tao alta e sem asas para voar não iria conseguir nem me levantar.
As asas são todo o meu corpo, e sem elas não tenho ser, não tenho energias para me libertar ou mesmo para me levantar.
As paredess são tao negras, tão duras e tão sujas ao mesmo tempo que eu tenho nojo deste local e tudo o que esta a minha volta. A porta é blindada de maneira a eu não conseguir fugir, e acho que é a unica coisa clara que aparece nesta cela tão escura.
Vejo as minhas asas mal-tratadas, já nao são brancas como a neve agora estão mais sujas que nunca, vejo-as a sangrar e com as penas a cairem a medida do tempo, por um buraquinho pequenino.

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